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Grande condomínio de SP começou coleta seletiva "por acidente" e hoje fatura 500 reais por mês com venda de material

Você já deve ter ouvido falar na máxima do cientista Lavoisier: "Na natureza, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma". Pois bem, no seu condomínio, se você não faz a reciclagem do lixo, pode estar jogando dinheiro fora.

No conjunto Ilha do Sul, em São Paulo, situado no bairro de Alto de Pinheiros, a coleta seletiva começou literalmente por acidente, há vinte anos. Muitas vezes o funcionário que recolhia lixo se feria em copos de vidro quebrados que estavam nos sacos plásticos. Por isso, começou-se a separar este material do lixo comum, e a vendê-lo para empresas que o reciclavam.

Dá trabalho?

Há sete anos, a síndica de um dos seis blocos, Maria Anísia, iniciou um programa mais organizado de coleta, que hoje reverte cerca de 500 reais por mês para um fundo de assistência aos funcionários. Maria Anísia, orgulhosa de sua iniciativa, conta que o novo sistema não dá mais trabalho para o síndico e os funcionários do que a coleta convencional: "Como são os próprios moradores que depositam o material nas latas específicas, e o volume depositado na lixeira geral diminui muito, então não são feitas duas retiradas por dia, mas apenas uma", segundo a síndica.

Outro benefício da coleta seletiva, portanto, é acabar com as montanhas de sacos de lixo em frente ao seu prédio, já que os maiores responsáveis pelo volume são materiais recicláveis como embalagens de papel e plástico. Assim, para a coleta municipal sobra apenas o lixo orgânico.

Maria Anísia lembra: "O único trabalho a mais que tive foi no início, para ensinar os procedimentos para os faxineiros, que hoje fazem o trabalho sozinhos e com entusiasmo, e para fazer uma campanha de esclarecimento com os moradores". E ressalta: "É importante contatar firmas que retirem o lixo reciclado no seu prédio, para você não perder tempo com isso".

Resistências

Por seus cálculos, hoje 50% dos 2 mil condôminos participam do programa, coletando-se aproximadamente dez toneladas por mês. A princípio, houve reclamações pelo trabalho a mais que tinham, já que cada material (vidro, papel, latinhas de alumínio) tem de ser depositado em uma lixeira específica, e as embalagens devem ser lavadas antes de serem jogadas. Mas isso foi por pouco tempo, explica Maria Anísia. "Logo todos perceberam que os restos de Coca-Cola na latinha atraíam abelhas, por exemplo".

 O entulho proveniente de reformas também pode ser aproveitado, ressalta a síndica. "Estamos trocando o encanamento, e os canos de ferro serão vendidos".

Coleta vira ocupação

Enquanto estava desempregado, condômino organizou programa de coleta seletiva em seu condomínio

Em um condomínio próximo ao Ilha do Sul, o conjunto 2.001, um programa de coleta seletiva começou a ser implantado seguindo alguns dos conselhos de Maria Anísia. Um dos moradores, Jetro Menezes, costumava já separar seu lixo para jogá-lo em latões para reciclagem instalados pela prefeitura numa grande praça da região. Um dia, estes latões sumiram. Jetro foi até a Regional de Pinheiros, saber o que tinha acontecido. "Parece que foram queimados", foi a resposta que obteve. Também ficou sabendo que a coleta seletiva da praça era pró-forma: no fim, tudo era recolhido igualmente, sem reciclagem nenhuma.

Diante de tanto descaso, Jetro resolveu implantar o sistema por sua conta no 2.001. E como estava desempregado, transformou o problema em oportunidade pessoal: a coleta seletiva passou a ser uma ocupação parcial. "O dinheiro arrecadado pela venda do material já me custeava algumas coisas, como transporte", explica.

Mais tarde, com a situação profissional estabilizada, passou o gerenciamento da coleta para o centro comunitário do conjunto, tendo já a implantado em quatro blocos. "Agora, o centro está começando em mais quatro", comemora. Jetro sugere que a implantação de um programa do gênero em um edifício residencial seja liderado por uma pessoa desempregada ou aposentada o que também pode ser uma "reciclagem psicológica" para este morador.

Depois dos conselhos de Maria Anísia, Jetro mergulhou tanto no assunto que já chegou a dar palestras. "Para mim é uma questão ideológica, mais importante que a renda obtida na reciclagem é preservar o planeta", afirma.

Não custa lembrar que o lixo é um problema crônico das cidades: no Brasil, segundo dados do CEMPRE e do IPT, são 70 mil toneladas/ dia de lixo domiciliar. 76% são lançados a céu aberto, 10% em lixões controlados, 9% em aterros sanitários e apenas 2% é reciclado.

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